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quinta-feira, 23 de abril de 2015

CICLO DA CANA-DE-AÇÚCAR


                        Foi esse o mais importante ciclo econômico do Brasil Colônia. Embora introduzido inicialmente em São Vicente, o cultivo da cana desenvolveu-se principalmente em Pernambuco, onde o solo de massapé lhe era extremamente favorável. Também na região do Recôncavo e no sul da Bahia houve diversas plantações canavieiras; não obstante, a Bahia houve diversas plantações canavieiras; não obstante, a Bahia salientou-se muito mais como produtora de açúcar (graças a seus numerosos engenhos) do que propriamente como cultivadora de cana. Aliás, o cultivo da cana e a produção de açúcar sempre estiveram intimamente ligados, pois inúmeros engenhos foram instalados na própria região onde se plantava a cana.
                       Desde fins do século XVI até meados do século XVII, o açúcar brasileiro dominou os mercados europeus quase sem concorrência, enriquecendo os comerciantes portugueses e os senhores de engenho baianos e pernambucanos. A situação modificou-se com o fim da segunda invasão holandesa (1654), pois os invasores haviam transplantado a cana para suas colônias nas Antilhas, onde aperfeiçoaram os métodos de refinação do açúcar. Dessa forma, o produto antilhano passou a ter, na Europa, uma aceitação superior à do açúcar brasileiro, visto ser de melhor qualidade e também mais barato, graças à menor distância entre a Europa e as Antilhas.
                       Devido à concorrência holandesa, o açúcar brasileiro entrou em decadência, perdendo sua posição de produto-rei. Com a queda do açúcar, o eixo econômico brasileiro, que até então girara em torno de Pernambuco, deslocou-se para o Centro-Sul.
                       Mas o Nordeste não conseguiu encontrar um substituto para o produto que fora a razão de sua prosperidade e grandeza. Assim, quase três séculos após a expulsão dos holandeses, a economia nordestina ainda continuava a apoiar-se na lavoura canavieira, muito embora o Sul (e principalmente São Paulo) houvesse assumido a primazia na produção do açúcar. Em 1968, São Paulo produziu 2 milhões de toneladas, e Pernambuco apenas 850.000!
                       
                                                                      Michalany,Douglas e Ramos, Ciro de Moura Ramos,1971


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